Fio B da Lei 14.300 ano a ano: como calcular o impacto na economia do cliente

Publicado em 05/09/2026 · leitura de 8 min

Desde 2023 a energia que o sistema injeta na rede paga uma parcela da tarifa de distribuição, o Fio B. A parcela cresce todo ano até 2029. Quem faz proposta ignorando isso vende uma economia que a conta de luz vai desmentir no segundo mês. Este guia mostra a rampa, a fórmula e um exemplo com números reais.

O que é o Fio B e por que ele entra na proposta

A tarifa que o cliente paga tem duas partes grandes: a energia (TE) e o uso do sistema de distribuição (TUSD). Dentro da TUSD, o Fio B remunera a rede da distribuidora. Antes da Lei 14.300, o crédito de energia injetada compensava a tarifa inteira. Com a lei, o crédito compensa a energia e o restante da TUSD, mas o Fio B passa a ser cobrado sobre cada kWh compensado, numa rampa progressiva.

Na prática: o cliente continua gerando a mesma energia, só que uma fatia do valor de cada kWh injetado deixa de ser abatida. É essa fatia que a proposta precisa descontar da economia.

A rampa, ano a ano

A regra de transição da Lei 14.300 (art. 27) define a fração do Fio B cobrada sobre a energia compensada:

Ano de referênciaFração do Fio B cobrada
202315%
202430%
202545%
202660%
202775%
202890%
2029 em diante100% (regra plena, valoração definida pela ANEEL)

Dois pontos que o integrador precisa dominar: primeiro, a rampa vale para sistemas conectados a partir de 7 de janeiro de 2023; quem entrou antes segue as regras antigas até 2045. Segundo, a fração é aplicada sobre a energia compensada, ou seja, a que foi injetada na rede e depois usada como crédito. A energia consumida na hora em que é gerada (autoconsumo) nunca paga Fio B.

A fórmula que a proposta usa

O custo mensal do Fio B, em reais, é:

custo Fio B = kWh compensados × tarifa (R$/kWh) × fração do Fio B na tarifa × fração do ano

Exemplo: 5 kWp em Curitiba

Os números vêm da página energia solar 5 kWp em Curitiba, calculada pelo mesmo motor das propostas:

Custo do Fio B por mês, com a tarifa de hoje:

AnoFraçãoContaFio B no mês
202660%378 × 0,96 × 0,28 × 0,60cerca de R$ 61
202775%378 × 0,96 × 0,28 × 0,75cerca de R$ 76
202890%378 × 0,96 × 0,28 × 0,90cerca de R$ 91
2029100%378 × 0,96 × 0,28 × 1,00cerca de R$ 102

Contra uma conta de cerca de R$ 520 antes do sistema, o Fio B pleno come em torno de 20% da economia bruta. É por isso que a proposta honesta mostra a economia ano a ano, e o gráfico de payback tem inclinação menor nos primeiros anos. No exemplo, a economia líquida fica em torno de R$ 410 por mês e o retorno entre 3,5 e 4,4 anos, dependendo do preço fechado.

O motor ainda aplica o reajuste anual da tarifa (7% ao ano na referência) e a degradação dos módulos (0,5% ao ano). O reajuste aumenta a economia em reais; a degradação e a rampa do Fio B diminuem. A proposta que o cliente recebe já traz as três curvas somadas.

Os três erros que fazem a economia não fechar

1. Prometer "conta zero"

Mesmo com geração igual ao consumo, a conta nunca zera. O cliente paga o custo de disponibilidade (30 kWh em ligação monofásica, 50 em bifásica, 100 em trifásica) e o Fio B sobre o que compensou. Uma proposta que mostra a conta futura zerada perde a confiança do cliente na primeira fatura.

2. Calcular o Fio B sobre a geração inteira

O Fio B incide sobre a energia compensada. Aplicar sobre a geração total superestima o custo e faz o sistema parecer pior do que é. Aplicar sobre nada (o erro mais comum) faz o contrário. O certo é separar autoconsumo de injeção.

3. Congelar o ano

Uma proposta feita em 2026 com 60% do Fio B para os 25 anos inteiros erra para cima a partir de 2027. A rampa precisa avançar ano a ano no cálculo, e a partir de 2029 vale a regra plena.

Checklist para a sua proposta

No ionluz tudo isso já está no motor: a rampa, a simultaneidade, a disponibilidade, o reajuste e a degradação entram no cálculo de toda proposta, e a capa avisa quando um sistema não se paga em 25 anos. Veja como a proposta é gerada.

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